Tornar-se vegetariano(a) vai muito além de apenas dar uma guinada nos hábitos alimentares. Há, por trás, uma infinidade de ideologias e questionamentos que levam uma pessoa a abrir mão de comer carne e também, por vezes, de seus derivados.
A estudante de Jornalismo Laís Prates, 21 anos, é vegetariana há aproximadamente um ano e meio. Ela conta que há dois anos passou a se questionar sobre o modo como tudo funciona, desde nossas atitudes até a alimentação. Laís passou a pesquisar sobre o assunto, e decidiu que não poderia ficar indiferente a ele. “Somos tão pequenos e destruímos tudo tão rápido!”, afirma. Pensando nisso, a estudante se deu conta de que não tem o direito de interferir na vida de outros, até mesmo dos animais. “Se somos tão racionais assim, porque continuamos nos alimentando de maneira tão primitiva?”, questiona.
Processos que valem a pena
Quando se recebe determinada educação, seja ela certa ou errada, é difícil desprender-se dela. Assim é como vegetarianismo. Quando uma pessoa cresce inserida em uma cultura que tem a carne como principal alimento, fugir desta “regra” é um processo que demanda tempo e determinação.
Laís comenta que, no início, passava meses sem ingerir carne e depois voltava a sua rotina habitual. Passado algum tempo, a estudante percebeu que já não sentia mais tanta falta deste alimento, então a eliminou de vez de seu cardápio. “Tenho consciência que a minha alimentação ainda afeta porque sou ovo-lacto-vegetariana, mas tenho reduzido muito o consumo de derivados”, comenta Laís, que ressalta que tudo é um processo.
Em relação aos restaurantes, a estudante comenta que a situação é complicada. “O que mais tem para quem não come carne é salada”, diz. Ela ainda cita o Restaurante Universitário (RU) da Universidade de Caxias do Sul (UCS), pois, segundo ela, oferece pouca variedade. “Os restaurantes que não são para vegetarianos/veganos geralmente investem pouco”.
O proprietário do RU, Ivan Ruzzarin, comenta que durante as “reuniões” para que o cardápio seja decidido, os vegetarianos são levados em consideração. Entretanto, ele assume que o prato principal sempre é a carne. “Se nós preparamos algo que possui carne em seus ingredientes, separamos outro prato que não possui. Nós procuramos encontrar o equilíbrio”, afirma.
Hoje se tem um crescimento de restaurantes pra esse público, mas é extremamente importante que os demais também pensem nos diferentes públicos, afinal, vivemos em uma sociedade plural, onde privilegiar a maioria é limitador, e até injusto. A estudante Laís ainda levanta a seguinte reflexão acerca do vegetarianismo: “As pessoas só conseguem enxergar os animais como produtos delas”.
Na primeira foto, a estudante Laís Prates. Arquivo pessoal.
A segunda foto retrata uma parte das variedades de alimentos oferecidas no RU da UCS. Foto: Gabriela Grillo.







