4 de maio de 2015

Palco Alternativo: outras possibilidades do Festival Brasileiro de Música de Rua

O Festival Brasileiro de Música de Rua, desde a primeira edição, tem como objetivos levar a música onde as pessoas estão, promovendo a democratização do acesso à cultura. Outro aspecto em que o festival se diferencia é a ausência de um palco convencional, na maior parte dos shows, que ocorrem em praças, parques, ruas e paradas de ônibus, colocando o artista no mesmo nível da platéia.

Sentir a música

No teatro ou nos bares o público sai de casa para ver o músico. Na rua os artistas tem a experiência de se apresentar para públicos distintos. Passantes, comerciantes, pessoas que estão esperando o ônibus... Durante o festival, alguns artistas se apresentam em locais muito especiais como Apae e Apadev. Valdir Verona e Rafael de Boni apresentaram seu show para uma platéia diferente: usuários da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais. No final da apresentação, as crianças se puderam tocar nos instrumentos que antes, produziram belas canções.

Em sua quarta edição, em 2015 o evento cresceu e a programação se estendeu à outros municípios da Serra. Farroupilha, Bento Gonçalves, Antonio Prado, Flores da Cunha e Nova Petrópolis receberam artistas do Uruguai, Peru, Argentina, Venezuela e Pernambuco.



Meninas Cantoras de Nova Petrópolis, em Farroupilha

Desafios

Para um artista, cada espetáculo é único. Por melhor que tenha sido o dia anterior, cada apresentação é uma surpresa. 


                      




Texto, fotos e vídeo: Marcelo Casagrande

Cura que vem de dentro: florais alquímicos no tratamento de doenças


Dor de cabeça, indigestão, depressão, ansiedade: esses são apenas alguns dos males que afligem o ser humano. E pra todos eles, geralmente, a resposta é a mesma: “toma um comprimido”. Não se pode, certamente, desmerecer o quanto a medicina tradicional tem feito pela saúde das pessoas. Mas, e se todos esses problemas forem apenas o sintoma?

Não existe nenhuma contra-indicação no uso de florais,

eles podem ser consumidos por qualquer pessoa
É sob essa visão que surgem os florais alquímicos. Esses medicamentos produzidos no Brasil são feitos, como sugere o nome, de flores, e também de minerais. São alquímicos porque observam a aura desses elementos, desde o plantio até a colheita. O seu funcionamento é simples. O floral trata problemas emocionais e psíquicos que, se não resolvidos, acredita-se que podem resultar em toda sorte de doenças. Como diria a canção, “as mandingas e os segredos de alquimia pra curar amor ferido, até por traição”.


O criador dos florais alquímicos, Joel Aleixo, explica que a alquimia foi a primeira das ciências, surgida em uma época na qual não se distinguiam a astrologia, a astronomia e a espiritualidade. “Para elaborar alquimicamente os florais, basta seguir os princípios da alquimia, ver o ser humano não como um equipamento solitário, mas como um ser que se integra a tudo aquilo que o rodeia”, afirma. As plantas utilizadas respeitam essas premissas: algumas são colhidas num santuário de reservas, ou ainda, são plantadas em formas de mandalas, de acordo com uma agricultura biodinâmica e orgânica.

Doenças que alimentamos



A terapeuta Carolina Maschio, que trabalha com 

os florais há 20 anos
A terapeuta Carolina Maschio trabalha com os florais alquímicos há 20 anos. “Não acho que eu os encontrei, acho que eles me descobriram”, conta. Na época em que iniciou o tratamento com os florais, duas décadas atrás, ela gastava cerca de R$ 500 em medicamentos todos os meses. Hoje, com 69 anos de idade, ela não consome nenhum medicamento convencional.

Carolina comenta que a doença é, para aqueles que estudam a alquimia, como um bicho. Ela nasce de traumas emocionais, coisas que são absorvidas desde o início da gestação do indivíduo e, quando surge, fica primeiramente no nível mental. “Se essa questão não for tratada e ‘liberada’, é criado o bicho, a entidade, que é a doença”, explica. Por vezes, esse “bicho” é alimentado por sentimentos ruins cultivados pelas pessoas, como a tristeza, a raiva e o medo, até que se manifesta no plano físico.



O consultório da terapeuta Carolina
É por isso que surge o floral, como uma medicina que vem, não para brigar com a convencional, mas para complementá-la. Pois é preciso tratar o problema físico, sim. Mas, se sua origem é emocional, tratar a patologia apenas com medicamentos que atuam sobre o corpo significa combater a consequência e deixar a causa intacta. Como explica a terapeuta Carolina, é preciso “trazer a origem do problema para a consciência, entender e transformar”.

Atualmente, existem mais de cinco mil terapeutas que trabalham com florais alquímicos no Brasil. Os florais e outras medicinas integrativas – como a acupuntura, a homeopatia, entre outras – são cada vez mais reconhecidos como fonte de auxílio à medicina ocidental. Como exemplo disso, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, criou o primeiro curso de pós-graduação em medicina integrativa do Brasil, e também foi pioneiro em aliar essas terapias no tratamento de pacientes com câncer. E você, acha que há algo mais para curar do que suas cotidianas dores de cabeça? Os florais podem ser uma opção.

No infográfico abaixo, você pode conhecer alguns tratamentos para os quais os florais alquímicos são direcionados. As informações são da terapeuta Fabiana Bregolin.




Texto, fotos e infográfico: Gabriela Grillo

3 de maio de 2015

Little Thigh: intervenção de consciência e bom humor

Uma das produções fotográficas do projeto, onde o casal
Little Thigh se prepara para um 'panelaço'
Nessa sociedade há padrões para tudo. Padrões no trabalho, padrões de beleza, padrões de conduta e – triste acreditar – padrões no amor! Porém, felizmente, o mundo é grande demais para haver apenas coisas ruins (e apesar de não ser abordado na quantidade que merece), também há soluções alternativas para tudo isso que foi mencionado acima. Em suma, há modos alternativos de fazer nossa voz ser ouvida, e foi com base nesta ideia que o (altern)atividade chegou ao projeto coletivo Little Thigh ('Coxinha', no português), cujo objetivo é desenvolver performances de âmbito político e social em espaços públicos - desde a internet até as ruas.

O Little Thigh nasceu por um trio: o ator/performer Vinícius Meneguzzi, a fotógrafa Adriana Marchioro e a atriz Tefa Polidoro, e hoje conta com a participação da atriz Camila Bauer na equipe. A ideia nasceu às vésperas do dia 15 de março de 2015, quando uma parte do Brasil se mobilizou a favor do Impeachment da presidenta Dilma - e também a favor de outras demandas, como democracia e a volta da ditadura militar. É claro que um momento como este renderia na observação de diferentes pessoas e suas atitudes em sociedade, e interpretá-las foi a opção que o trio encontrou para reproduzir os seus atos e pensamentos de uma forma cômica. “Nossa arma é o deboche”, afirmam.

Intervenção de bom senso

A atriz Tefa Polidoro lembra que durante a transmissão do pronunciamento da presidenta em relação à crise financeira mundial, também foram ao ar - tanto nos noticiários, quanto nas redes sociais - imagens de “panelaços” em condomínios de áreas nobres de diversas capitais do país. De imediato Tefa conta que lembrou dos “panelaços” que aconteceram na Argentina durante o governo De la Rua, e de como o povo ocupou os espaços públicos com suas panelas, bradando que a assembleia popular era nas ruas. “A diferença entre um panelaço e outro é que antes se batucava pelas ruas, e agora o som se faz nas sacadas e nos terraços mais nobres”, ressalta Tefa.

O clima de intransigência, a violência e o desrespeito em diversos aspectos fizeram Tefa perceber que, enquanto cidadã e artista, era necessário tomar alguma atitude - que não envolvesse a ajuda de militares, é claro. Vinícius e Adriana, seus amigos, de imediato aceitaram unir forças para construir um projeto, e inicialmente o Little Thigh era composto apenas por fotos lúdicas e divertidas que ironizavam o comportamento dos “cidadãos de bem”.

Durante a produção das fotos, a equipe percebeu que a possibilidade de desenvolver performances poderia potencializar o alcance - e também as ideias. A curiosidade que os transeuntes expressavam ao se deparar com os Little Thigh - a família burguesa interpretada no projeto -, foi um dos motivos que levou o trio a ampliar o projeto, e então os vídeos e as performances na rua se tornaram o foco de suas ações. Objetivos e formatos decididos, a família Little Thigh vestiu seu melhor traje e, munido de sua panela de esmalte azulado, foi às ruas pedir o que o Brasil precisa: tolerância e bom humor.

No alto de sua varanda gourmet…


… a família Little Thigh já criou e levou para a rua - e para a internet - várias ações. Durante as manifestações de março, por exemplo, o grupo promoveu um “coxinhaço” no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Na ocasião, Tefa - munida de muita elegância e com uma grande coxa na mão - discursou para as pessoas que estavam no local. Afinal, o pessoal pró-ditadura não teve tanta sorte em seus protestos, e a liberdade de expressão ainda é permitida.

Nos vídeos, vários assuntos já foram abordados, como, por exemplo, o casamento da Srta. Thigh. A personagem conta para uma revista de fofocas que a lua-de-mel, é claro, foi no Caribe, e que a decoração fazia jus ao luxo da ocasião: as flores e as toalhas eram todas brancas. Os convidados, também.

Confira todo o depoimento da Srta Thigh, com todo o glamour e a pompa que a ocasião pede:



Usar as redes sociais para abordar um assunto tão polêmico gera feedback de vários tipos. Tefa comenta que as reações são diversas: desde elogios, pessoas que não compreendem a ironia, e manifestações negativas de quem identifica o humor, geralmente acompanhadas do adjetivo “petralha”. A atriz ainda comenta que a experiência de lidar com a reação alheia tem sido interessante para o trio, afinal, só se pode compreender as pessoas quando se tem contato direto com elas.

Tefa conta que o projeto Little Thigh é despretensioso, já que o planejamento corre quando o grupo se reúne para beber e discutir o panorama político brasileiro. Notícias e opiniões são compartilhadas, as ideias surgem e os três combinam um dia para se encontrar e gravar os vídeos, que geralmente são concebidos pelo improviso. “Acredito que a continuidade dele seja possível justamente por ser realizado de forma despretensiosa”, comenta a atriz.

O modo descontraído como a equipe leva o projeto é o que conquista o seu público. Tefa conta que em seu e-mail já recebeu até currículos de pessoas que se propuseram a fazer parte da equipe. A atriz também comenta que o projeto ocasionou uma boa movimentação ao redor de si. Afinal, todos e todas temos voz, e cada uma delas merece ser ouvida.

Confira uma galeria de fotos com as algumas das intervenções feitas pelos Little Thigh:




Texto: Diúlit Oldoni
Fotos: Divulgação / Little Thigh
Vídeo: Little Thigh


2 de maio de 2015

Dançar para perder a timidez



A dança por si só é uma atividade física completa. Além do exercício, o aluno ainda desenvolve a convivência social, musicalidade e a afetividade. Para as crianças, tais habilidades são fundamentais em seu crescimento. Por isso, as escolas de dança estão cada vez mais repletas de alunos que buscam desde cedo os benefícios desta atividade.

Seja qual for a modalidade, são muitos os benefícios que a dança traz. A professora de ballet e dança moderna, Bruna Bregolin, acredita que as aulas auxiliam as crianças no envolvimento com o grupo e na perda da timidez. Para a professora, a diferença de comportamento das alunas desde que iniciaram as atividades este ano é notável.
Em filas, as alunas esperam a sua vez para fazer o exercício.

“A gente percebe muita mudança nas crianças principalmente no aspecto psicomotor, no jeito de mexer o corpo e na desenvoltura social e afetiva. No início elas eram muito travadas, e agora já conversam e interagem uma com as outras. Elas perdem a vergonha, principalmente”, explica Bruna.

A perda da timidez foi o que levou Elaine Bressan a inscrever a filha, Laura, nas aulas de dança moderna. Elaine, que também dança, já havia tentado outras alternativas pra que a Laura se soltasse mais. Mas descobriu que a dança pode ser a atividade mais eficaz neste processo.

“Como eu fazia aula de dança aqui na Escola, conversei com a Prof.ª Bruna sobre a Laura e ela disse que seria uma ótima alternativa pra ela se soltar mais, ser menos tímida, e está dando super certo. Eu sinto que ela está mais tranquila e até conversa mais”, conta Elaine.

São muitos os benefícios gerados através das aulas de dança. O convívio com as colegas pode ser o diferencial para o desenvolvimento da criança. Além disso, aprende-se sobre disciplina, postura e respeito. “A dança trabalha o corpo, o espírito e o coração”, afirma Bruna.

Galeria de fotos:
O alongamento é a primeira parte da aula e é importante para evitar lesões musculares.
A professora divide a turma em filas para iniciar uma atividade de coordenação motora.
As crianças escutam atentas as orientações da professora.
Agora é a vez de treinar os saltos sobre o obstáculo.
As alunas treinam os movimentos de perna e braço.
Montagem com os saltos das alunas.
A professora repassa os movimentos junto com as alunas.
Pose final.
No fim da aula, o alongamento é no chão, para relaxar.
Texto e imagens: Natália Catusso Lessa