Por Gabriela Grillo
Amar é fundamental, entretanto, é aceitável ter apenas um amor. Ou assim pensa a sociedade, que construiu – e impõe – um modelo de relacionamento monogâmico. Porém, nem todo mundo ama do mesmo jeito. Na busca por escapar ao aprisionamento que as regras e imposições sociais implicam, há quem encontre novas maneiras de viver, pensar e agir.
O estudante de jornalismo Vagner Barreto é uma das pessoas que buscou outro tipo de amor para si. Ele se define como livre, uma vez que pode relacionar-se com quem quiser e permite à pessoa com quem está fazer o mesmo. “Num primeiro momento parece estranho, mas isso tem a ver com se apropriar do seu corpo e ter consciência de que ele é seu, logo, o poder de decisão sobre ele também é seu”, explica.
Por vezes, a monogamia leva a um sofrimento desnecessário – por insegurança, pelo medo da perda. Essas restrições impostas prejudicam o relacionamento. Vagner explica que sua concepção de amor funciona para ele justamente por ser libertador. “Não sou uma princesa de filme esperando um príncipe encantado, porra. Sou um jovem do século XXI. Acho carruagem um veículo de locomoção obsoleto”, ironiza.
O estudante lembra que sempre teve essa visão liberal, desde o primeiro “namoradinho”. A família e as pessoas com quem o acadêmico teve contato ao longo da vida tiveram influência nesse modo de perceber os relacionamentos. Vagner conta que sempre teve uma educação liberal e muita abertura para o diálogo. “Somos uma família que se adequou aos dias de hoje e podemos falar sobre sexo, drogas e rock’nroll no café da manhã”. Ele ressalta, ainda, que percebe mais apoio do que estranhamento, talvez por não ter um círculo de amigos muito convencional.
Contudo, todo relacionamento tem seus problemas, inclusive os livres. Vagner comenta que às vezes a compreensão é um processo difícil. Ele nem sempre conta, ao conhecer alguém, que ama dessa forma. Todavia, quando a relação se intensifica, é preciso haver diálogo e as reações costumam variar entre contrariedade e curiosidade. “Há um tempo estava ficando com um menino e um dia ele começou a perguntar sobre meus relacionamentos. Então eu expliquei e de repente ele estava me enchendo de perguntas, foi quase uma aula sobre relacionamentos livres. Ele parecia realmente desconfiado de como isso funcionava, se dava certo e quais atitudes eu tomava em determinadas situações. Foi divertido, mas ele nunca mais me ligou”.
Amar (livremente) até pode ser difícil, mas certamente vale os embates diários contra o modelo tradicional. Como Vagner explica, “basta encontrar as pessoas certas, que entendam isso e concordem”. O objetivo, certamente, não é generalizar. O relacionamento monogâmico pode ser bom, sim. Só que se as restrições são uma imposição social e não uma escolha, vale a sugestão: liberte-se!
Na foto, Vagner Barreto. Créditos: Samantha Hunoff.
Nenhum comentário:
Postar um comentário