22 de junho de 2015

Lentes distorcidas: o Expressionismo no cinema alemão

No final de maio ocorreu um curso de cinema dedicado à vertente do Expressionismo Alemão, ministrado por Carlos Primati, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, em Caxias do Sul. Se você perdeu a oportunidade, o (altern)atividade te conta um pouquinho sobre o assunto.

O Expressionismo é, segundo Carlos Primati, um movimento de vanguarda surgido na Alemanha, na década de 1910, que contou com manifestações em todas as artes. Ele representa o mundo de forma subjetiva, por meio da distorção de cenários, gestos e objetos, com o intuito de suscitar, no espectador, emoções perturbadoras ou angustiantes.

Cinema que transforma

O organizador do curso, Conrado Heoli, explica que a iniciativa fez parte de uma mostra composta por nove clássicos do Expressionismo e foi muito bem recebida pelo público, visto que reuniu o dobro do público usual de atividades do gênero. Conrado realiza a curadoria das obras exibidas na Sala de Cinema Ulysses Geremia e enfatiza a importância de atividades como essa, uma vez que “o cinema se constitui como uma ferramenta capaz de proporcionar educação e conhecimento ao espectador”.

Com isso em vista, Conrado escolhe a dedo os filmes que serão exibidos na Sala, sempre com o mesmo critério: “eles devem fazer seu espectador sair da sessão diferente do que entrou”. O que mais o impressiona no Expressionismo Alemão é a originalidade, pois o estilo “nasceu nas primeiras décadas do século XX com linguagem e inspirações fantásticas nunca vistas antes no cinema e em outras artes”. Sua obra preferida do movimento é M, O Vampiro de Dusseldorf (1931). “Este é um filme excepcional e complexo, que tem direção e roteiro soberbos e permanece incrivelmente atual quando visto nos dias de hoje”, conta.

Uma outra forma de experimentar a sétima arte

O estudante de jornalismo Lucas Borba foi uma das pessoas que prestigiou o curso e saiu satisfeito com o aprendizado. “Descobri a importância do Expressionismo Alemão, entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, para o amadurecimento do cinema enquanto técnica, pelas mãos e mentes de gênios como Fritz Lang e Der Herr der Liebe”, afirma. Para ele, os pontos altos do estilo são a inventividade e avanço técnico, considerando-se os recursos limitados da época.

Lucas é deficiente visual e escreve críticas de cinema para o site Plano Crítico. Apaixonado pela sétima arte desde pequeno, conta que herdou esse amor do pai. Ele explica que as trilhas e efeitos sonoros, diálogos e efeitos da voz que ajudam a determinar a qualidade da performance de um ator são elementos essenciais para sua percepção do audiovisual. “Tudo isso permite que eu veja cinema e TV ao meu modo e faça minhas críticas explorando esses aspectos”, ressalta. O recurso da audiodescrição, de acordo com ele, é outra ferramenta que cresce na produção audiovisual e, quando bem feita, auxilia na compreensão das obras.

O estudante destaca como grandes obras do Expressionismo Alemão Guerra, Flagelo de Deus (1930) e Metrópolis (1927). Para ele, é uma felicidade que obras como essas sejam resgatadas em restaurações de ótima qualidade, “tanto para brindarmos ao poder do cinema por grandes artistas, que vai muito além do tecnológico, quanto para refletirmos sobre o cinema presente e o seu futuro”.

No infográfico abaixo você pode conhecer algumas das principais obras do cinema expressionista alemão:



As influências do Expressionismo Alemão no cinema mantêm-se vivas em obras como A Sombra de uma Dúvida (1943), de Alfred Hitchcock, Blade Runner (1982), de Ridley Scott e Batman – O Retorno (1992), entre muitos outros. Abaixo, você pode assistir a dois curtas influenciados pelo estilo. O primeiro, El Chateau (2002), tem direção de Victor Hugo Borges e o segundo, Vincent (1982), foi a primeira animação do diretor Tim Burton.



Texto e infográfico: Gabriela Grillo

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