No final de
maio ocorreu um curso de cinema dedicado à vertente do Expressionismo Alemão,
ministrado por Carlos Primati, na Sala de Cinema Ulysses Geremia,
em Caxias do Sul. Se você perdeu a oportunidade, o (altern)atividade te conta
um pouquinho sobre o assunto.
O Expressionismo
é, segundo Carlos Primati, um movimento de vanguarda surgido na Alemanha, na
década de 1910, que contou com manifestações em todas as artes. Ele representa
o mundo de forma subjetiva, por meio da distorção de cenários, gestos e
objetos, com o intuito de suscitar, no espectador, emoções perturbadoras ou
angustiantes.
Cinema que transforma
O organizador
do curso, Conrado Heoli, explica que a iniciativa fez parte de uma mostra
composta por nove clássicos do Expressionismo e foi muito bem recebida pelo
público, visto que reuniu o dobro do público usual de atividades do gênero.
Conrado realiza a curadoria das obras exibidas na Sala de Cinema Ulysses
Geremia e enfatiza a importância de atividades como essa, uma vez que “o cinema
se constitui como uma ferramenta capaz de proporcionar educação e conhecimento
ao espectador”.
Com isso em
vista, Conrado escolhe a dedo os filmes que serão exibidos na Sala, sempre com
o mesmo critério: “eles devem fazer
seu espectador sair da sessão diferente do que entrou”. O que mais o
impressiona no Expressionismo Alemão é a originalidade, pois o estilo “nasceu
nas primeiras décadas do século XX com linguagem e inspirações fantásticas
nunca vistas antes no cinema e em outras artes”. Sua obra preferida do
movimento é M, O Vampiro de Dusseldorf (1931). “Este é um filme
excepcional e complexo, que tem direção e roteiro soberbos e permanece
incrivelmente atual quando visto nos dias de hoje”, conta.
Uma outra forma de
experimentar a sétima arte
O estudante
de jornalismo Lucas Borba foi uma das pessoas que prestigiou o curso e saiu
satisfeito com o aprendizado. “Descobri a importância do Expressionismo Alemão,
entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, para o amadurecimento do cinema
enquanto técnica, pelas mãos e mentes de gênios como Fritz Lang e Der Herr der
Liebe”, afirma. Para ele, os pontos altos do estilo são a inventividade e
avanço técnico, considerando-se os recursos limitados da época.
Lucas é deficiente
visual e escreve críticas de cinema para o site Plano Crítico.
Apaixonado pela sétima arte desde pequeno, conta que herdou esse amor do pai.
Ele explica que as trilhas e efeitos sonoros, diálogos e efeitos da
voz que ajudam a determinar a qualidade da performance de um ator são elementos
essenciais para sua percepção do audiovisual. “Tudo isso permite que eu veja
cinema e TV ao meu modo e faça minhas críticas explorando esses aspectos”,
ressalta. O recurso da audiodescrição, de acordo com ele, é outra ferramenta
que cresce na produção audiovisual e, quando bem feita, auxilia na compreensão
das obras.
O estudante destaca como grandes obras do Expressionismo Alemão Guerra, Flagelo de Deus (1930) e Metrópolis (1927). Para ele, é uma felicidade
que obras como essas sejam resgatadas em restaurações de ótima qualidade, “tanto
para brindarmos ao poder do cinema por grandes artistas, que vai muito além do
tecnológico, quanto para refletirmos sobre o cinema presente e o seu futuro”.
No infográfico abaixo você pode conhecer algumas das principais obras do
cinema expressionista alemão:
As influências do Expressionismo Alemão no cinema mantêm-se vivas em
obras como A Sombra de uma Dúvida (1943), de Alfred Hitchcock, Blade Runner (1982),
de Ridley Scott e Batman – O Retorno (1992), entre muitos outros. Abaixo, você pode
assistir a dois curtas influenciados pelo estilo. O primeiro, El Chateau (2002),
tem direção de Victor Hugo Borges e o segundo, Vincent (1982), foi a primeira animação
do diretor Tim Burton.
Texto e infográfico: Gabriela Grillo

Interessantíssimo!
ResponderExcluirGK